Quase toda usina que a LIV instala vai para um telhado que já existe. A visita técnica confere se a estrutura da casa aguenta o peso, a equipe sobe, fixa os módulos e liga. É o cotidiano da operação, e é por isso que esse tipo de projeto sai rápido.
Esse projeto não teve telhado.
O cliente é dono de uma locadora de equipamentos para construção. Ele estava ampliando o escritório, montou sete ou oito salas novas e instalou carregadores de carro elétrico na empresa. Nenhuma dessas cargas tinha aparecido na fatura ainda, e foi exatamente esse o motivo de ele procurar energia solar: fez a conta do que a energia ia custar depois que tudo estivesse ligado, e resolveu antes de a conta chegar.
Sem telhado disponível para uma usina desse porte, a saída foi construir a estrutura. Uma cobertura metálica sobre postes de concreto, com os módulos formando o próprio teto do pátio. O que em outro projeto é um item de checklist virou aqui a parte mais difícil da obra.
- 2:38Como é uma usina residencial de telhado
- 3:12O que muda numa usina desse porte
- 5:41Cálculo e logística da estrutura em postes
- 8:02Por que a usina não gera assim que é instalada
Quando não existe telhado, a estrutura vira o projeto
TL;DR
Em usina de telhado, a engenharia verifica uma estrutura que já está de pé. Quando a estrutura precisa ser construída, ela entra no escopo do projeto: cálculo de carga, balanço e o engaste nos postes. É essa parte que decide o cronograma da obra, não a quantidade de módulos.
Pedro Henrique, engenheiro da LIV, descreve a usina residencial como o caso mais simples. "Normalmente é instalada em telhado, a gente faz uma visita técnica justamente para analisar toda a questão da estrutura da casa do cliente, uma estrutura que não precisa aguentar tanto peso, e normalmente é um projeto mais simples de ser executado, pois é algo mais comum no nosso cotidiano."
A diferença aparece quando não há o que verificar. "Além de montar uma estrutura totalmente nova para o cliente, que não está montada, a gente tem que se preocupar com a questão de balanço, questão de peso, questão estrutural", diz ele. "E por ser um inversor muito maior do que o comum, os métodos de segurança, proteções que a gente utiliza nesse tipo de obra são de outro nível."
A parte mais trabalhosa, segundo ele, não foi montar os módulos. "A maior dificuldade em si foi na questão do cálculo e na questão da logística para poder construir a estrutura. A estrutura em si são postes. Foi todo um planejamento para ser colocada aquela estrutura, engastada naqueles postes, sem que afetasse a estrutura do poste e sem que ficasse de um jeito que ela ficasse bamba, ficasse frágil, onde demonstrasse que poderia cair a qualquer momento."
Engastar significa fixar a treliça no poste de forma que os dois passem a trabalhar como uma peça só. O poste precisa receber a carga da cobertura, do peso dos módulos e do esforço do vento sem perder a capacidade que ele já tinha. É um problema de estrutura antes de ser um problema de energia, e é resolvido no papel antes de qualquer coisa subir.
A visita técnica precisa responder o que ainda não existe
Em qualquer projeto da LIV, a visita técnica acontece antes do dimensionamento. Num telhado, ela olha inclinação, sombra, estado da telha e por onde passa o cabo. Aqui, precisou olhar um pátio vazio e responder o que caberia nele.
Yuri Gabriel, do pós-venda, lista o que foi avaliado: "a gente precisou analisar a parte da estrutura, analisar metragem, onde ficaria o inversor, a parte de cabeamento, toda a infra para não ter nenhum risco para o cliente durante a instalação e pós a instalação também."
Vale reparar na ordem. A metragem de cabo e o ponto do inversor entram na conversa antes da obra porque mudam o custo e o desenho do projeto que vai para a distribuidora. Decidir isso depois costuma significar refazer.
Carga nova entra antes de a fatura mostrar
TL;DR
Empresa que está crescendo liga carga nova antes de a conta refletir o crescimento. Dimensionar a usina pela última fatura, nesse caso, produz um sistema pequeno já no primeiro mês de operação.
Sete ou oito salas novas e carregadores de carro elétrico não aparecem na fatura no dia em que são instalados. Aparecem no ciclo seguinte, e depois no outro, à medida que passam a ser usados. Quem dimensiona a usina olhando só a conta que está na mão está dimensionando para a empresa que existia antes da reforma.
Carregador de veículo elétrico é o caso mais direto disso. Ele adiciona uma carga alta e concentrada, muitas vezes em horário comercial, que é justamente quando a usina está gerando. Isso muda a potência necessária e pode mudar a carga contratada junto à distribuidora, o que é um trâmite à parte, com prazo próprio.
O cliente desse projeto fez essa conta sozinho, antes de procurar orçamento. É o comportamento menos comum entre quem contrata energia solar, e é o que dá a ele a melhor posição para negociar: ele sabia o que estava comprando antes de comparar preço.
Depois que a instalação termina, a usina ainda não gera
TL;DR
A obra é apenas um dos dois caminhos que correm em paralelo. O outro é o projeto na distribuidora. A usina só passa a gerar quando a Cosern faz a vistoria e troca o medidor pelo bidirecional, e esse é o passo que ninguém acelera.
Enquanto a estrutura sobe, um segundo processo corre em paralelo: o projeto submetido à Cosern, com a documentação, a verificação de carga do local e a Anotação de Responsabilidade Técnica junto ao CREA. Os dois caminhos só se encontram no fim, quando o projeto está aprovado e a instalação, concluída. Aí a LIV solicita a vistoria.
A distribuidora vai até o local, confere se o que foi instalado corresponde ao que foi aprovado e, estando tudo certo, troca o medidor comum pelo bidirecional. Essa troca é a homologação. É a partir dela que a energia gerada passa a abater a conta.
| Etapa | Prazo de referência | Quem depende |
|---|---|---|
| Análise e aprovação do projeto | 5 a 10 dias | Cosern |
| Entrega do material | 15 a 20 dias | Distribuidora de equipamentos |
| Vistoria após a instalação | 7 a 8 dias | Cosern |
| Troca do medidor bidirecional | na vistoria aprovada | Cosern |
Uma ressalva
Os prazos acima são os que a operação da LIV usa como referência para planejar obra e comunicar cliente. Não são compromisso da Cosern nem garantia contratual, e projetos com aumento de carga ou pendência de titularidade costumam levar mais tempo.
É nesse ponto que a comunicação decide se o cliente termina satisfeito. "Se a gente passa um prazo, vamos supor, de um período curto, só que na realidade é um período que vai passar, seja mais de 30 dias, 40 dias, a gente tem que deixar ciente para o cliente essa parte, para que não evite dor de cabeça futura", diz Yuri. "É muito importante a gente deixar claro para o cliente que, após a instalação, ele não vai estar começando a gerar de início."
E há uma razão técnica para não tentar encurtar. "Se a gente tenta agilizar a geração dele para que ele comece a gerar o quanto antes, na pressa, é algo que com certeza vai dar problema futuramente", ele diz. Ligar um sistema antes da vistoria aprovada e do medidor trocado cria irregularidade com a distribuidora, e o custo disso cai no cliente.
Escrevemos sobre o outro lado dessa conta, o do retorno financeiro e do prazo de payback, no artigo sobre a Lei 14.300 e o prazo do Fio B.
Ele já tinha uma usina, feita por outra empresa
O detalhe que a equipe considera o mais relevante do projeto não é técnico. Quando a LIV ofereceu energia solar a esse cliente pela primeira vez, ele tinha acabado de fechar com outra integradora. A resposta dele, na época, foi que procuraria de volta quando precisasse da próxima.
Precisou, e procurou. Ele chegou com propostas na mão, e a negociação girou em torno de valor e prazo, como qualquer venda. A diferença é que ele já tinha atravessado um processo de instalação inteiro antes, então sabia com precisão o que estava comparando.
A vendedora responsável resume onde ela acha que a decisão foi ganha: "o vendedor fica ali na linha de frente, mas nos bastidores tem uma grande equipe que está fazendo tudo acontecer." E cita o retorno do cliente no fim da obra, de que sempre pôde contar com o time.
Equipamento fotovoltaico é praticamente o mesmo em qualquer proposta da região, com preço parecido. O que separa uma instalação da outra é a engenharia que dimensiona antes e quem continua atendendo depois. Um cliente que compra pela segunda vez é a única pessoa em condição de comparar as duas coisas, porque ele já viu as duas versões.
Quando esse tipo de projeto faz sentido para a sua empresa
A cobertura metálica não é a resposta padrão, e sai mais cara que o telhado. Ela faz sentido em três situações que aparecem com frequência em negócio instalado:
Quando o telhado existente não tem área ou não tem estrutura para receber a potência necessária. Quando existe pátio, estacionamento ou área de manobra que já é espaço perdido e pode virar cobertura útil, protegendo veículo e equipamento do sol. E quando a empresa está crescendo, com carga nova entrando, e vale dimensionar uma vez para o cenário à frente em vez de fazer dois projetos.
Em qualquer um dos três, a conversa começa igual: uma visita técnica ao local antes de qualquer proposta. Sem ela, qualquer número é chute.
Sua empresa está crescendo e a conta de energia vai junto?
A simulação leva dois minutos e serve para uma primeira leitura. Para projeto empresarial com estrutura, o caminho é a visita técnica, e ela é gratuita.
Fazer a simulaçãoPerguntas Frequentes
Dá para instalar energia solar em empresa que não tem telhado disponível?
Sim. Quando não há telhado com área ou estrutura suficiente, a usina pode ser montada em estrutura metálica própria, apoiada em postes ou em solo, com os módulos formando uma cobertura sobre pátio, estacionamento ou área de manobra. O projeto passa a incluir o cálculo estrutural, o que aumenta o custo e o prazo em relação a uma instalação de telhado, mas transforma área já existente em área útil.
Qual a diferença entre uma usina solar residencial e uma para empresa?
Na residencial, a estrutura já existe e a visita técnica verifica se o telhado aguenta o peso dos módulos. Num projeto empresarial de porte maior, é comum que a estrutura precise ser construída, o que traz cálculo de carga, balanço e fixação para dentro do escopo. O inversor também é maior, o que exige proteções e métodos de segurança diferentes dos de uma obra residencial.
Quanto tempo depois da instalação a usina solar começa a gerar?
Não é no dia em que a equipe termina a montagem. Depois da instalação concluída, a LIV solicita a vistoria à Cosern, que tem prazo de referência de 7 a 8 dias. A distribuidora vai ao local, confere o material e as informações do projeto e, estando tudo certo, troca o medidor comum pelo bidirecional. Essa troca é a homologação, e é a partir dela que a geração passa a abater a conta.
O que é o medidor bidirecional e por que ele precisa ser trocado?
O medidor comum registra apenas a energia que entra na unidade consumidora. O bidirecional registra também a energia que a usina injeta na rede, que é o que gera o crédito de compensação. Sem essa troca, não existe como a distribuidora contabilizar o que o sistema produziu, e por isso a homologação depende dela.
Carregador de carro elétrico muda o dimensionamento da usina solar?
Muda. O carregador adiciona uma carga alta e concentrada, que costuma ser usada em horário comercial. Isso altera o consumo total, o perfil de consumo ao longo do dia e, em alguns casos, a carga contratada junto à distribuidora, que é um trâmite com prazo próprio. Empresa que instalou ou vai instalar carregador deve dimensionar pelo consumo projetado, não pela última fatura.
Dá para acelerar a homologação junto à distribuidora?
O prazo de análise e de vistoria é da distribuidora e não se compra. O que a empresa instaladora controla é a qualidade do que envia, porque projeto com pendência volta e recomeça a contagem. Tentar ligar o sistema antes da vistoria aprovada e do medidor trocado cria irregularidade com a distribuidora, e o custo disso recai sobre o cliente.