A ANEEL anunciou, em 25 de setembro de 2026, que outubro fecha com bandeira verde, sem nenhum acréscimo na conta. A mudança encerra uma sequência de cinco meses de bandeira amarela, de maio a setembro, e repete um padrão que já tinha aparecido no começo do ano: janeiro, fevereiro, março e abril de 2026 também vieram verdes.
Com outubro, 2026 já soma cinco meses de bandeira verde e cinco de amarela, sem nenhum mês vermelho até aqui. Ninguém sabe ainda o que vem depois de outubro, no verão que começa em dezembro, e este texto não promete a cor de dezembro. O que ele mostra é quanto cada cor custa, por que a bandeira muda, e o que já subiu na sua conta antes de qualquer bandeira entrar em cena.
O quanto isso pesa no seu caso sai da simulação
A simulação usa o consumo em kWh da sua fatura da Cosern e mostra se instalar energia solar faz sentido pro seu perfil, antes do verão chegar.
Fazer a simulaçãoQuanto cada bandeira soma na sua conta?
A bandeira soma um valor fixo por kWh consumido, e esse valor é decidido pela ANEEL, igual em qualquer distribuidora do Brasil. Bandeira verde não soma nada. Bandeira amarela soma R$ 0,01885 por kWh, ou R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Bandeira vermelha tem dois patamares: o primeiro soma R$ 0,04463 por kWh, e o segundo, mais caro, soma R$ 0,07877 por kWh.
| Bandeira | 300 kWh/mês | 500 kWh/mês | 800 kWh/mês |
|---|---|---|---|
| Verde | R$ 0,00 | R$ 0,00 | R$ 0,00 |
| Amarela | R$ 5,66 | R$ 9,43 | R$ 15,08 |
| Vermelha 1 | R$ 13,39 | R$ 22,32 | R$ 35,70 |
| Vermelha 2 | R$ 23,63 | R$ 39,39 | R$ 63,02 |
Fonte: ANEEL, valores de bandeira tarifária vigentes desde a REH nº 3.306/2024. Os valores da tabela são só o acréscimo da bandeira, sem os impostos que incidem sobre o total da fatura.
Numa conta de 500 kWh, a diferença entre bandeira verde e vermelha 2 passa de R$ 39. Esse valor aparece e some da fatura conforme o mês, mesmo quando o consumo da casa não muda em nada.
Por que a bandeira muda de cor?
A bandeira reflete o custo de gerar energia naquele mês, decidido pelo nível dos reservatórios das hidrelétricas. Quando eles estão cheios, a energia sai mais barata e a bandeira fica verde. Quando esvaziam, o sistema aciona usinas térmicas para completar a demanda. Essas usinas custam mais caro, e é esse custo extra que a bandeira cobra na conta. Outubro voltou ao verde porque os reservatórios de onde sai a maior parte da energia do país encheram de novo, e a nota da ANEEL atribui a mudança ao aumento de chuvas nas bacias do Sul e do Sudeste.
A ANEEL anuncia a cor com cerca de um mês de antecedência. Hoje não existe bandeira anunciada pra novembro nem pro resto do verão, e nenhuma empresa de energia solar sabe disso antes do público. O que existe é um cenário de fundo: o INPE, o INMET e a ANA apontam mais de 90% de chance de um El Niño muito forte se firmar entre a primavera e o verão de 2026 e 2027, com o Nordeste mais seco e mais quente que a média nesse período. Seca baixa o nível dos reservatórios, e reservatório baixo é historicamente o que traz bandeira amarela ou vermelha de volta. É um risco apontado por quem mede clima e chuva. A cor de dezembro ou janeiro ainda não foi decidida.
O reajuste já está na sua fatura. Veja o que muda com energia solar
A simulação usa o consumo da sua conta e devolve o tamanho do sistema e o retorno esperado, sem pedir documento.
Simular com a minha contaSua conta já subiu, mesmo sem bandeira?
Já subiu, e o motivo não tem nada a ver com bandeira tarifária. Em 22 de abril de 2026 entrou em vigor um reajuste da ANEEL pra Cosern, com índice médio de 5,40% e 3,74% pra quem está na baixa tensão, onde fica a maior parte das casas. Esse 3,74% é a média de toda a baixa tensão, que soma outras classes além da residencial, e usa uma base diferente da tarifa que compõe a sua fatura. A tarifa base da sua casa, sem impostos, foi de R$ 0,74424 pra R$ 0,77580 por kWh, uma alta de 4,24% nessa linha específica. Esse valor entrou nas contas a partir da fatura de maio, e continua ali em outubro, bandeira verde ou não.
Isso significa que o mesmo consumo do verão passado custa mais neste verão que vem, antes de qualquer ar-condicionado ligar a mais e antes de qualquer bandeira somar um centavo. O reajuste é anual e já aconteceu. A bandeira é mensal e ainda está em aberto pros próximos meses.
O que dá pra controlar na sua conta do verão?
A bandeira e o reajuste chegam prontos, do jeito que a ANEEL decide. O que fica na sua mão é o consumo em kWh, e é ele que multiplica pela tarifa e pela bandeira do mês, item por item da fatura. Reduzir consumo no calor de Natal esbarra rápido no ar-condicionado, porque é o equipamento que mais pesa numa casa que usa o aparelho todo dia.
O primeiro artigo desta série mostra a conta feita: quanto um split de 9.000, 12.000 ou 18.000 BTU gasta por mês em Natal, com a tarifa real da Cosern, a mesma que está na sua fatura. Está em quanto gasta o ar-condicionado em Natal, com a tarifa da Cosern.
Veja se a bandeira do verão ainda vai pesar na sua conta
Quem gera a própria energia sente a bandeira só no consumo que a usina não compensa. A simulação mostra o tamanho do sistema pro seu consumo.
Fazer a simulaçãoQuem tem energia solar paga bandeira tarifária?
Paga só sobre o consumo que a usina não compensou. A regra da ANEEL, no artigo 307, parágrafo 2º da Resolução Normativa 1.000/2021, diz, em texto literal: "No caso de unidade consumidora participante do SCEE, as bandeiras tarifárias não incidem sobre a energia compensada." Na prática, a energia que a usina injeta de dia vira crédito e compensa também o que a casa usa à noite. A bandeira do mês só pesa sobre o consumo que passar do que foi compensado.
Isso é diferente do Fio B, a parte da tarifa de distribuição que incide sobre a energia solar compensada e que sobe todo ano pela Lei 14.300 pra quem pediu a ligação da usina depois de 7 de janeiro de 2023. O Fio B está explicado à parte, no artigo energia solar com bateria: o que muda com a tarifa branca e o Fio B em 90%. A bandeira tarifária e o Fio B são dois aumentos diferentes, que muita gente confunde como um só.
Perguntas Frequentes
O que é a bandeira tarifária?
É um acréscimo por kWh que a ANEEL soma na conta de luz do Brasil inteiro, conforme o custo de gerar energia no mês. Bandeira verde não soma nada; amarela soma R$ 0,01885 por kWh; vermelha soma R$ 0,04463 (patamar 1) ou R$ 0,07877 (patamar 2), sempre sem impostos.
Quando a ANEEL anuncia a cor do mês?
Com cerca de um mês de antecedência. A cor de outubro de 2026 (verde) foi anunciada em 25 de setembro. Não existe anúncio pra novembro nem pro resto do verão, e ninguém sabe hoje qual vai ser.
Quanto custa cada bandeira numa conta de 500 kWh?
Amarela soma R$ 9,43. Vermelha 1 soma R$ 22,32. Vermelha 2 soma R$ 39,39. Verde não soma nada. Os valores são só o acréscimo da bandeira, sem os impostos que incidem sobre o total da fatura.
Quem tem energia solar paga bandeira tarifária?
Só sobre a energia que vem da rede e não foi compensada pela usina. A energia solar gerada e compensada fica de fora da conta da bandeira, por regra da ANEEL.
Por que ninguém garante a cor da bandeira em dezembro?
Porque a ANEEL decide mês a mês, olhando o nível dos reservatórios e o custo de gerar energia naquele momento. O que existe pro verão é um cenário de risco: previsão de El Niño forte e Nordeste mais seco. A bandeira de dezembro ainda não foi decidida.
Erick LimaDiretor comercial da LIV Energia Solar. Segue o reajuste e a bandeira da Cosern mês a mês, pra separar o que é aumento de tarifa do que é decisão do cliente sobre o próprio consumo.