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Bandeira verde em outubro. E a conta de luz do verão?

A ANEEL anunciou bandeira verde pra outubro, depois de cinco meses seguidos de bandeira amarela. A tarifa da Cosern já subiu em abril, antes de qualquer bandeira, e o verão que vem tem um cenário de clima mais seco no Nordeste. Veja quanto cada cor custa e o que já pesa na sua conta, sem prometer a cor de dezembro.

1 de out. de 2026 7 min de leitura

A ANEEL anunciou, em 25 de setembro de 2026, que outubro fecha com bandeira verde, sem nenhum acréscimo na conta. A mudança encerra uma sequência de cinco meses de bandeira amarela, de maio a setembro, e repete um padrão que já tinha aparecido no começo do ano: janeiro, fevereiro, março e abril de 2026 também vieram verdes.

Com outubro, 2026 já soma cinco meses de bandeira verde e cinco de amarela, sem nenhum mês vermelho até aqui. Ninguém sabe ainda o que vem depois de outubro, no verão que começa em dezembro, e este texto não promete a cor de dezembro. O que ele mostra é quanto cada cor custa, por que a bandeira muda, e o que já subiu na sua conta antes de qualquer bandeira entrar em cena.

Placas de energia solar instaladas em telhado de telha cerâmica, fotografadas de baixo para cima contra céu azul de verão com nuvens brancas, em dia de sol forte.
Usina residencial instalada pela LIV. A cor da bandeira muda o preço da energia que vem da rede, e a geração do telhado segue a mesma.

O quanto isso pesa no seu caso sai da simulação

A simulação usa o consumo em kWh da sua fatura da Cosern e mostra se instalar energia solar faz sentido pro seu perfil, antes do verão chegar.

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Quanto cada bandeira soma na sua conta?

A bandeira soma um valor fixo por kWh consumido, e esse valor é decidido pela ANEEL, igual em qualquer distribuidora do Brasil. Bandeira verde não soma nada. Bandeira amarela soma R$ 0,01885 por kWh, ou R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Bandeira vermelha tem dois patamares: o primeiro soma R$ 0,04463 por kWh, e o segundo, mais caro, soma R$ 0,07877 por kWh.

Bandeira300 kWh/mês500 kWh/mês800 kWh/mês
VerdeR$ 0,00R$ 0,00R$ 0,00
AmarelaR$ 5,66R$ 9,43R$ 15,08
Vermelha 1R$ 13,39R$ 22,32R$ 35,70
Vermelha 2R$ 23,63R$ 39,39R$ 63,02

Fonte: ANEEL, valores de bandeira tarifária vigentes desde a REH nº 3.306/2024. Os valores da tabela são só o acréscimo da bandeira, sem os impostos que incidem sobre o total da fatura.

Numa conta de 500 kWh, a diferença entre bandeira verde e vermelha 2 passa de R$ 39. Esse valor aparece e some da fatura conforme o mês, mesmo quando o consumo da casa não muda em nada.

Por que a bandeira muda de cor?

A bandeira reflete o custo de gerar energia naquele mês, decidido pelo nível dos reservatórios das hidrelétricas. Quando eles estão cheios, a energia sai mais barata e a bandeira fica verde. Quando esvaziam, o sistema aciona usinas térmicas para completar a demanda. Essas usinas custam mais caro, e é esse custo extra que a bandeira cobra na conta. Outubro voltou ao verde porque os reservatórios de onde sai a maior parte da energia do país encheram de novo, e a nota da ANEEL atribui a mudança ao aumento de chuvas nas bacias do Sul e do Sudeste.

A ANEEL anuncia a cor com cerca de um mês de antecedência. Hoje não existe bandeira anunciada pra novembro nem pro resto do verão, e nenhuma empresa de energia solar sabe disso antes do público. O que existe é um cenário de fundo: o INPE, o INMET e a ANA apontam mais de 90% de chance de um El Niño muito forte se firmar entre a primavera e o verão de 2026 e 2027, com o Nordeste mais seco e mais quente que a média nesse período. Seca baixa o nível dos reservatórios, e reservatório baixo é historicamente o que traz bandeira amarela ou vermelha de volta. É um risco apontado por quem mede clima e chuva. A cor de dezembro ou janeiro ainda não foi decidida.

O reajuste já está na sua fatura. Veja o que muda com energia solar

A simulação usa o consumo da sua conta e devolve o tamanho do sistema e o retorno esperado, sem pedir documento.

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Sua conta já subiu, mesmo sem bandeira?

Já subiu, e o motivo não tem nada a ver com bandeira tarifária. Em 22 de abril de 2026 entrou em vigor um reajuste da ANEEL pra Cosern, com índice médio de 5,40% e 3,74% pra quem está na baixa tensão, onde fica a maior parte das casas. Esse 3,74% é a média de toda a baixa tensão, que soma outras classes além da residencial, e usa uma base diferente da tarifa que compõe a sua fatura. A tarifa base da sua casa, sem impostos, foi de R$ 0,74424 pra R$ 0,77580 por kWh, uma alta de 4,24% nessa linha específica. Esse valor entrou nas contas a partir da fatura de maio, e continua ali em outubro, bandeira verde ou não.

Isso significa que o mesmo consumo do verão passado custa mais neste verão que vem, antes de qualquer ar-condicionado ligar a mais e antes de qualquer bandeira somar um centavo. O reajuste é anual e já aconteceu. A bandeira é mensal e ainda está em aberto pros próximos meses.

O que dá pra controlar na sua conta do verão?

A bandeira e o reajuste chegam prontos, do jeito que a ANEEL decide. O que fica na sua mão é o consumo em kWh, e é ele que multiplica pela tarifa e pela bandeira do mês, item por item da fatura. Reduzir consumo no calor de Natal esbarra rápido no ar-condicionado, porque é o equipamento que mais pesa numa casa que usa o aparelho todo dia.

Vista aérea de telhado residencial com placas de energia solar instaladas ao lado de um condicionador de ar tipo split montado na parede, quintal de terra com roupas no varal ao fundo.
Usina e ar-condicionado dividem o mesmo telhado. O consumo em kWh de cada um é o que decide o peso na conta, mês a mês.

O primeiro artigo desta série mostra a conta feita: quanto um split de 9.000, 12.000 ou 18.000 BTU gasta por mês em Natal, com a tarifa real da Cosern, a mesma que está na sua fatura. Está em quanto gasta o ar-condicionado em Natal, com a tarifa da Cosern.

Veja se a bandeira do verão ainda vai pesar na sua conta

Quem gera a própria energia sente a bandeira só no consumo que a usina não compensa. A simulação mostra o tamanho do sistema pro seu consumo.

Fazer a simulação

Quem tem energia solar paga bandeira tarifária?

Paga só sobre o consumo que a usina não compensou. A regra da ANEEL, no artigo 307, parágrafo 2º da Resolução Normativa 1.000/2021, diz, em texto literal: "No caso de unidade consumidora participante do SCEE, as bandeiras tarifárias não incidem sobre a energia compensada." Na prática, a energia que a usina injeta de dia vira crédito e compensa também o que a casa usa à noite. A bandeira do mês só pesa sobre o consumo que passar do que foi compensado.

Isso é diferente do Fio B, a parte da tarifa de distribuição que incide sobre a energia solar compensada e que sobe todo ano pela Lei 14.300 pra quem pediu a ligação da usina depois de 7 de janeiro de 2023. O Fio B está explicado à parte, no artigo energia solar com bateria: o que muda com a tarifa branca e o Fio B em 90%. A bandeira tarifária e o Fio B são dois aumentos diferentes, que muita gente confunde como um só.

Perguntas Frequentes

O que é a bandeira tarifária?

É um acréscimo por kWh que a ANEEL soma na conta de luz do Brasil inteiro, conforme o custo de gerar energia no mês. Bandeira verde não soma nada; amarela soma R$ 0,01885 por kWh; vermelha soma R$ 0,04463 (patamar 1) ou R$ 0,07877 (patamar 2), sempre sem impostos.

Quando a ANEEL anuncia a cor do mês?

Com cerca de um mês de antecedência. A cor de outubro de 2026 (verde) foi anunciada em 25 de setembro. Não existe anúncio pra novembro nem pro resto do verão, e ninguém sabe hoje qual vai ser.

Quanto custa cada bandeira numa conta de 500 kWh?

Amarela soma R$ 9,43. Vermelha 1 soma R$ 22,32. Vermelha 2 soma R$ 39,39. Verde não soma nada. Os valores são só o acréscimo da bandeira, sem os impostos que incidem sobre o total da fatura.

Quem tem energia solar paga bandeira tarifária?

Só sobre a energia que vem da rede e não foi compensada pela usina. A energia solar gerada e compensada fica de fora da conta da bandeira, por regra da ANEEL.

Por que ninguém garante a cor da bandeira em dezembro?

Porque a ANEEL decide mês a mês, olhando o nível dos reservatórios e o custo de gerar energia naquele momento. O que existe pro verão é um cenário de risco: previsão de El Niño forte e Nordeste mais seco. A bandeira de dezembro ainda não foi decidida.

Erick Lima, diretor comercial da LIV Energia Solar

Erick LimaDiretor comercial da LIV Energia Solar. Segue o reajuste e a bandeira da Cosern mês a mês, pra separar o que é aumento de tarifa do que é decisão do cliente sobre o próprio consumo.

Sua vez

Veja se a bandeira do verão pesa na sua conta

A simulação não pede documento nenhum e diz na hora se o solar faz sentido pro seu perfil. Se não fizer, a gente fala isso também.

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