Em Natal, cada quilowatt-pico de placas no telhado gera em média perto de 130 kWh por mês, pelo Atlas Brasileiro de Energia Solar do INPE. Uma casa que consome 300 kWh precisa de pouco mais de 2 kWp pra cobrir o mês. Só que a usina gera de dia, e a casa gasta o dia inteiro.
O que liga as duas pontas é a rede da Cosern, e entender esse caminho explica por que a sua conta cai bastante e continua chegando.
O que acontece com a energia que a usina gera de dia?
As placas transformam a luz do sol em energia elétrica, e o inversor converte essa energia pro padrão da tomada da sua casa. A geladeira, o ventilador e o que estiver ligado naquela hora consomem primeiro. Essa parte nem passa pelo medidor.
Perto do meio-dia a usina costuma gerar mais do que a casa usa. A sobra sai pela rede da Cosern e vira crédito em kWh. À noite, quando as placas param, a casa puxa energia da rede, e o crédito acumulado de dia abate esse consumo na conta.
Com o céu nublado as placas continuam gerando, só que menos. A simulação da LIV usa a média do ano inteiro, com os meses de chuva dentro da conta.
O que o medidor da Cosern registra?
Depois que a usina está montada, a Cosern faz a vistoria e instala ou adapta o medidor pra contar a energia nos dois sentidos: a que entra na casa e a que sai pra rede. Na usina residencial, até 75 kW, esse medidor é por conta da Cosern (Lei 14.300, art. 8º). A regra da ANEEL dá até 5 dias úteis pra vistoria e o medidor, contados do pedido (REN 1.000, art. 91).
Quanto tempo vale o crédito?
O crédito vale 60 meses, contados da conta em que ele foi gerado (Lei 14.300, art. 13). Os créditos mais antigos são usados primeiro. Na prática, a sobra de um mês de muito sol passa pro mês seguinte e ajuda nos meses em que a casa gasta mais, como o verão com o ar-condicionado ligado.
Por que a conta de luz continua chegando?
Toda casa ligada à rede paga pra rede estar pronta, inclusive à noite. Pra quem pediu a ligação da usina de 2023 em diante, a Cosern cobra o maior entre dois valores, e os dois não se somam (Lei 14.300, art. 16).
O primeiro é a taxa mínima, o consumo mínimo da ligação: 30 kWh na casa monofásica, 50 na bifásica e 100 na trifásica. Na monofásica, dá cerca de R$ 31 por mês com a tarifa de 2026.
O segundo é o Fio B, a parte da tarifa que paga o uso da rede, cobrada sobre a energia que foi pra rede e voltou como crédito. Em 2026 a lei cobra 60% dele, cerca de R$ 0,16 por kWh compensado, antes dos impostos (Resolução Homologatória ANEEL 3.573/2026).
Na casa que consome pouco, quem aparece na conta é a taxa mínima. O Fio B aparece no lugar dela quando a casa consome mais e passa muita energia pela rede. Por cima dos dois vem a iluminação pública, que cada prefeitura cobra pela lei dela. Em Natal, ela é de 15% do valor do consumo, acima de 80 kWh.
A sua simulação já mostra esse valor que continua, em reais, pro seu caso.
O que muda na conta até 2028?
A Lei 14.300 sobe o Fio B por etapas: 75% em 2027 e 90% em 2028. Então a conta de quem tem usina sobe um pouco nesses dois anos, mesmo sem a casa consumir mais. A regra de 2029 em diante a ANEEL ainda está definindo. Ela fez uma consulta sobre o tema que terminou em março de 2026, e até outubro nenhuma resolução saiu. O calendário está em o que muda na sua conta de luz até 2028.
A bandeira tarifária fica fora desse cálculo. Ela é cobrada sobre a energia que você paga, e a energia compensada pela usina não entra na bandeira (Lei 14.300, art. 19).
Quanto tempo leva da assinatura até a primeira conta com crédito?
A montagem no telhado leva de um a dois dias. A maior parte do prazo é da Cosern. Pela regra da ANEEL, ela tem até 15 dias pra aprovar a conexão quando a rede não precisa de obra, e 30 quando precisa (REN 1.000, art. 64). Depois da usina pronta, a vistoria e o medidor levam até 5 dias úteis. A compensação começa na conta seguinte à vistoria. A LIV conduz o pedido na Cosern, e você acompanha pelo seu consultor.
Perguntas Frequentes
A usina pode ficar em outro imóvel?
Pode, se as duas contas da Cosern estiverem no mesmo CPF. É o autoconsumo remoto: a usina fica num imóvel e o crédito abate a conta do outro. O imóvel da usina continua com a conta dele e paga pelo menos a taxa mínima.
Dá pra dividir a usina com um parente que tem outra conta?
Dá, com a divisão formalizada. Quando a outra conta está em outro CPF, a lei pede um consórcio, uma cooperativa, um condomínio ou uma associação, com o documento entregue à Cosern. Com as duas contas no seu nome, vale o autoconsumo remoto. O caso das duas casas está no artigo energia solar para duas casas da família.
A reforma do setor elétrico de 2025 mudou alguma coisa pra quem tem usina?
Na compensação, nada. A Lei 15.269/2025 manteve o crédito de 60 meses e o calendário do Fio B. Ela abre o mercado livre pras residências até novembro de 2028, ainda sem regulamento, e quem migrar pro mercado livre sai da compensação.
Se faltar energia na rua, a usina continua abastecendo a casa?
A usina desliga junto com a rede. Quando falta energia na rua, o inversor percebe e para de mandar energia pros fios, porque um técnico da Cosern pode estar mexendo na rede achando que ela está sem corrente. A casa fica sem luz como as vizinhas, e a usina volta a gerar sozinha quando a energia volta. Pra ter luz na queda, a usina precisa de bateria, que é outro projeto.
Pedro HenriqueEngenheiro da LIV Energia Solar. Faz a visita técnica, o projeto da usina e o pedido de conexão na Cosern.